05 julho, 2010

Histórias da Daninha – Adolescente – Um ser esquisito!

Quem acha que sofreu com a adolescência, não sabe o que a Daninha passou!

É certo que a adolescência é uma das fases mais esquisitas da vida de um pobre ser humano! Aposto que você também passou por muitas agruras! Faz parte, deve ser mesmo uma preparação pra vida adulta. É quando a vida mostra pra gente que viver não é brincadeira!

E o que é que a natureza faz com a gente na adolescência, quando a gente mais quer se afirmar como um ser bonito, social, enturmado? Transforma a gente num monte de bichos esquisitos! Ou se é muito magro ou muito gordo. Ou muito alto ou muito baixo. O rosto se enche de espinhas. O cabelo fica oleoso. Os dentes ganham aparelhos. A voz dos meninos muda.

Mesmo assim, tem uns que se salvam. Os considerados “bonitos” são os menos esquisitos. E esses na adolescência fazem sucesso!

Infelizmente esse não foi o caso da Daninha. Preciso contar pra vocês que a Daninha com 12 anos de idade já tinha 1,72m de altura. E era maaaagra, esquelética! E... tinha orelhas de abano. E... tinha os dentes pra frente e usava aparelho. E... tinha o cabelo mega oleoso!

Resultado: ninguém queria brincar com a Daninha no recreio. Ela pedia pras meninas “mais legais” da classe se podia passar o recreio com elas, elas diziam que sim, e na hora H elas saíam correndo e rindo, fugiam, as pentelhas. Por falar nisso, essas mais “populares” tinham um nome pro grupo, eram as “Pentas”. Provavelmente de pentelhas mesmo. E pra entrar no grupo delas tinha que usar batom e saia. E ter o cabelo bonito. E dar beijos nos meninos nos bailinhos.

Ui, por falar em bailinhos! Só tinha um menino que chamou a Daninha pra dançar duas vezes nos bailinhos, e era o mais baixinho da turma. O nome dele era Udo. Dançava com a Daninha por pena mesmo. Que meigo! Provavelmente a Daninha só era convidada para as festas de aniversário (onde aconteciam os bailinhos) pra dar o presente. Porque ninguém dava a menor bola pra ela, nem meninas e nem meninos. Mas a Daninha tinha duas amigas, que faziam parte do “resto” da classe, a Rovena e a Bárbara. Que bom que existiam pelo menos essas duas meninas!

Mas daí o tempo foi passando. Com 13 anos a Daninha operou as orelhas de abano nas férias. Com 14 tirou o aparelho. E se mudou para um prédio (antes morava numa casa). No prédio logo fez uma turma, e ficou feliz por não precisar mais ficar implorando por amizade na escola. E na 8ª série a classe da Daninha se juntou com outra classe. E ela fez amizade com o pessoal dessa outra classe também. E de repente a Daninha estava cheia de amigos! E havia aprendido a se destacar pelo seu jeito, suas atitudes, e não pela beleza. E no fim até que a Daninha não ficou mais tão feia. Saiu da escola, fez faculdade, começou a trabalhar, e sempre faz muitos amigos em todo lugar. E se orgulha muito disso! Todo o sofrimento da adolescência se transformou em segurança. Segurança de ser, antes de mais nada, uma pessoa que pensa. E vivam as “Pentas”!

Moral da história: A adolescência e todos os seus problemas só nos fortalecem, ainda bem!

6 comentários:

Magnum Opus disse...

Não tenho nenhuma lembrança traumática morfológica de minha adolescência, fora o fato de que eu sempre fui o mais pobre da turma, logo eu usava as piores vestimentas, estudava nos piores colégios e meu pai andava com o carro mais velho sujo e estourado. No final do ano todo mundo ia pra praia menos eu. E na páscoa eu ganhava ovo de páscoa super pequeno e parafinado enquanto meus amigos ganhavam os mais super size motherfucker! Chega senão vou virar um adolescente revoltado!!

Je disse...

Eu tb não lembro de ter grandes problemas. Já tenho uma familia grande, no prédio onde eu morava tinha bastante crianças da minha idade...Então foi mais tranquilo.
Tive uns probleminhas no começo da adolescencia na escola, mas ai é por causa de meninos. História pra outro momento ;)

Eliane disse...

Hã, na minha adolescência não é que eu fosse revoltada eu só era um puco brava. Assim, no primeiro dia do ginásio (ai, "ginásio", entrega a idade)acho que quebrei o nariz de um menino (pelo menos saiu bastante sangue), mas foi porque ele abusou de eu ser baixinha, roubou a minha bolsa e ficou brincando de João bobo. Há...nem pensei e eu dei uma de boxeadora. Depois disso eu virei a defensora dos frascos e comprimidos. Ainda bem que aprendi a dominar minha ira.

Dani, acho que sua história daria um livro.

Sandra Regina Klippel disse...

Nossa, você escreve com um estilo bárbaro. "Bárbaro", acho que não é do seu tempo. Mas quer dizer que amei o texto.Não sabia que, além de ser uma pessoa formidável, você tivesse todo esse talento. Estou feliz.

Hadas disse...

Dani, pode ser mesmo que tudo isso foi preciso pra vc se transformar nessa pessoa amável que eu tenho o maior orgulho de ser sua amiga!!
Na minha adolescência eu era a amiga feia da menina bonita que beijava os meninos bonitos... mas eu não ligava muito pra isso não. me divertia com tudo isso...

Dri disse...

Vixi... até os 13 eu sempre fui a levada da breca... lembro que nãotinha muitos problemas de amizade, mas sempre tinha falta de grana... quando ia a alguma festinha eu emprestava roupa das amigas. Dos 13 em diante eu comeicei a namorar, daí não lembro muito. Acho que de lá para cá não mudei muito. Adorei a sua história!
Beijoooooo