08 outubro, 2010

Eu não gosto disso, mãe!


Quem tem filhos sabe que o momento das refeições pode ser meio conturbado. Especialmente quando a criança já tem assim de 3 pra 4 anos, e daí pra frente só piora.

Quando a criança ainda é um bebê normalmente come de tudo o que a gente dá pra ela. Muitas vezes já demonstra uma preferência por algum alimento ou outro, mas come de tudo, feliz e satisfeita. Mas de repente chega uma idade em que os problemas começam. E a gente fica confuso, não sabe o que fazer, como agir. Em casa conseguimos alguns resultados bem bons com a Nina e ela come bem. Claro, nem ela nem nós somos perfeitos, então tem falhas, claro que tem. Mas comparado com outras crianças a Nina come muito bem, e de (quase) tudo! Então vou dar minhas dicas, só minhas, percepções do dia-a-dia, sem nenhum embasamento em pesquisas científicas e psíquicas, OK?


1) A criança sempre vai não gostar (vixe) do que ela não está habituada a comer

Criança é assim, come strogonoff toda semana e adora, pede mais. Aí uma época você desencana de fazer strogonoff por um tempo, porque já enjoou, e daqui a 2 meses faz de novo. Seu filho olha pro prato e diz

– Eu não gosto dessa comida!

- Mas filho, você sempre comeu essa comida, e adora!

- Não gosto não, não vou comer!

Acho que a percepção do tempo infantil é diferente do nosso, e as crianças só se lembram do que comeram no mês passado. Antes disso, esquece, eles não comeram e não gostam.
A dica é tentar sempre variar bastante os pratos, e apresentar coisas novas. Mas sem esquecer das comidinhas de sempre, senão a criança esquece.

2) Diga pro seu filho que não é que ele não gosta da comida, ele só não está acostumado a ela

Com a Marina funciona. A gente fala pra ela que tudo bem, essa é uma comida nova à qual ela não está acostumada, mas não quer dizer que ela não vai gostar. A gente conta alguma história da nossa infância, de alguma comida que a gente achava que não gostava e depois passou a adorar pra ajudá-la a entender o ponto. E pede pra ela provar. Se ela provar e realmente não gostar, pode ficar sem comer. Mas aqui eu faço uma observação. Se a criança provar e disser que não gosta, não adianta correr fazer um miojo que ela adora pra compensar. Assim ela nunca vai dizer que gostou de alguma coisa. Então com a Marina o que a gente faz é dizer que essa é a comida que tem, que mamãe e papai adoram, mas pra ela não ficar com fome ela pode comer um pedaço de pão. Aí se ela não achou a comida tão ruim ela acaba comendo, e muitas vezes gostando mesmo.

3) Permita que seu filho tenha um ou dois pratos dos quais realmente não gosta, que ele não precisa comer

A Marina detesta mandioquinha (batata-salsa). Ela tem até enjoo quando sente o cheiro. Então não adianta forçar, esse é o tipo de alimento que ela realmente não gosta. Então esse ela não precisa comer. Criança também tem paladar, então é aceitável que a criança possa escolher não comer um ou outro alimento que ela detesta. Mas têm que ser realmente só alguns. Na minha casa era assim, cada um tinha um alimento detestado. O meu é batata doce e da minha irmã banana. Mas de todos os outros alimentos a gente tinha que comer pelo menos um pouquinho.

4) Sempre peça pro seu filho comer um pouquinho do que ele acha que não gosta pra se acostumar

A Marina não gosta de abobrinha, vagem e ervilhas. Mas na verdade não é que ela não goste, eu diria que ela não é muito fã. Mas até que come quando é necessário. Então desses a gente sempre coloca um pouquinho no prato e pede pra ela comer, pra ir se acostumando ao sabor até gostar. Muitas vezes ela protesta, mas acaba comendo. E com vários alimentos essa tática funcionou e hoje ela adora, como beterraba, brócolis, alface...

5) Tem dias em que a criança está sem apetite

Essa demorou pra gente aprender. Que tem dias em que a criança não está com fome. Pode ser que ela tenha comido algo antes da refeição, ou está enjoada, doente, ou nervosa, ou só está sem fome. Isso é normal, e às vezes a Nina, por exemplo, fica uma semana assim, sem fome. Depois o apetite volta, numa boa. No começo a gente achava um absurdo ela sair da mesa sem comer, e fazia ela comer pelo menos metade do prato. E mais três colheradas... Depois a gente percebeu que quando ela não está com fome comer só faz ela se sentir mal. E que esses dias esporádicos sem comer não fazem falta pro organismo dela. E que depois ela volta a comer normalmente. Só que de novo, não vale daqui a meia hora oferecer um pacote de bolacha pra ela ficar com alguma coisa no estômago. No máximo uma fruta, e espera até a próxima refeição. Senão daqui a pouco a criança vai estar trocando a refeição pela sobremesa, por porcarias...

6) A criança come o que você compra

Uma amiga tinha uma filhinha de 3 anos que só comia besteira. Danoninho, Fandangos, chocolate, pipoca, sorvete... Comida? Nem pensar! Aí minha amiga foi se queixar com o pediatra e ele perguntou:

- Quem é que faz o mercado na sua casa, ela?

- Não, sou eu...

- Então não compre essas coisas, e ela vai ter que comer o que tem.

E pronto, minha amiga parou de comprar porcarias e a filhinha dela mudou radicalmente a alimentação. Passou a comer comida, frutas, uma beleza! Na primeira semana foi difícil, mas logo ela esqueceu das guloseimas.

7) Dê o exemplo

Eu nunca havia cozinhado um brócolis na vida até ter a Nina. Eu até comia, mas não fazia parte do nosso cardápio, meu e do meu marido, de recém-casados. A nossa alimentação era baseada em pão, pizza, miojo e sopa até nos tornarmos pais. Mas depois, fizemos questão de mudar a nossa alimentação quando nossa baixinha completou 1 ano e começou a comer do que a gente comia. O Marcelo gosta mais de frutas do que eu, então ele é o “fruteiro” oficial em casa. Eu adoro os legumes e ele nem tanto, então eu é que insisto neles. E ele sempre coloca um brócolis pequenininho no prato (ele não curte brócolis) pra que a Marina nunca desconfie que ele não gosta. Até hoje ela não percebeu, hehe! Minhas sobrinhas disputam a salada com o pai porque sempre viram ele comer a salada (um monte) direto do potão com tanto gosto que elas passaram a adorar salada também. Então não adianta obrigar seu filho a comer o que você não come. Tente melhorar a sua dieta também, vai ser bom pra todo mundo.


Bom, essas são as minhas dicas. Como eu disse, com certeza ainda temos o que melhorar, mas a Marina realmente come bem e é super saudável. Ensinar uma criança a comer bem não é fácil, mas com certeza vale a pena!

9 comentários:

Pé Mimado disse...

Que graça, Dani...adorei as fotos da Nina pequena...que fofa!
Eu acho que vc tem toda razão. Concordo plenamente. O meu sobrinho Henrique até ano passado, só comia arroz e feijão ou sopa creme de legumes engrossado com Neston. Mas ele só comia isso, porque a minha irmã só fazia esse tipo de comida pra ele, pois sabia que era o que ele gostava. Tadinho, imaginem comer dia sim, dia não a mesma comida??? Como ele almoça na minha mãe e vê eles comendo comidas variadas, ele sente o cheiro e se interessa...aí a minha mãe pergunta se ele quer experimentar e ele experimenta e acaba gostando. Hoje ele está comendo de tudo. Até frutas, que ele não podia nem olhar. Em compensação com o Gustavo (irmãozinho de 1 ano e meio do Henrique), a minha irmã está fazendo bem diferente. Faz ele experimentar tudo que ela coloca no prato. É um sarro. A minha irmã sempre prepara a sopa dele, mas ele acaba trocando a sopa por um prato de ravioli à carbonara, por exemplo. Na verdade, o Gus é muito esperto e sabe que sopa é para os dias mais frios...hahahaha!
Dani, adorei esse post! Vou tentar me lembrar dele quando eu for mãe. =)

Beijos!

Monique disse...

Acho que vc tinha que escrever um livro com todas essas dicas, Dani. São ótimas! Até eu gosto de lê-las!

Bi disse...

Que máximo!
Adoro esses posts... hehe...
Então...
Aqui em casa não tivemos problema até agora e espero que nunca tenhamos! O Nicholas come de tudo (a única coisa que ele não gosta mesmo é azeitona, mas aí é exigir demais de um menino de 1 ano e 8 meses, né?!rs).
Eu sei que há uma idade em que eles começam a se tornar mais seletivos em relação aos alimentos, mas se dermos o bom exemplo, o risco é bem menor; e como eu e meu marido gostamos de tudo, então acho que não vai ser tão difícil assim.
Procuro variar bastante e sempre colocar verduras no prato dele. O tomate, por exemplo, ele não comia, porque quando comecei a dar cru, ele achava gelado, esquisito (o mesmo com a beterraba), agora ele me pede, quase que implora pelo tal tomate... é até bonito de ver! E claro, pra ir acostumando, sempre depois de cada refeição (café da manhã, almoço e jantar) eu dou uma frutinha. Nada de chocolates, bolachas e coisas parecidas com dannete, isso nem entra aqui em casa. Refrigerante é algo também que ele nunca provou (se dependesse do meu irmão ele tomava mamadeira cheia, mas um NÃO meu bem dado resolveu esse problema...rs) e também espero que não prove tão cedo.
É isso...
Como dizem por aí: os filhos são o espelho dos pais, então pra quê estragar, né?! =)

Dri disse...

Dani, adorei o post... olhe, tomara que minha filha ou meu filho puxe a mim... sempre comi de tudo! hehehe Só Deus a livre ou o livre de se intolerante à lactose hauhauhaha

Dri disse...

Ah... e que fotos são essas?!!! Que belos apertões essas bochechas merecem!!!

Je disse...

Muito boa sua dica Dani...tá anotado pra quando tiver meus Hortinhas...

Bruno disse...

Minha mãe era terrível com isso, quase uma coronel do exército. Hoje eu sei que ela fazia tudo de coração apertado, mas na nossa frente era super rígida.

Raphael disse...

Puxa Dani. Fizeram tudo errado comigo quando eu era criança. Minha avó, de tanto que queria me agradar, fazia tudo o que eu queria. Teve uma fase de minha infância que eu almoçava somente arroz e duas salsichas (todos os dias).

E agora sou quem vai ter que dar o exemplo...

Eliane Felisbino disse...

Dani, linda as fotos e parabéns pelo post, muito bom.

depois deste texto quero ver o Rapha comecar a comer brocolis, assim como o Marcelo...kkkk