29 setembro, 2010

Admirável mundo novo

Ontem estive em Florianópolis na UFSC para um congresso sobre direito autoral. As palestras foram boas, a viagem também, mas uma coisa chamou muito a minha atenção: a modernidade de hoje em dia. Eu explico.

Entrei no auditório para assistir à primeira palestra, me sentei e comecei a olhar em volta. Percebi que os organizadores estavam terminando de configurar o notebook de um dos palestrante para ajustar a apresentação para o datashow. OK, normal. Eis que eu escuto uma vozinha de criança saindo da região da mesa, no palco. E vejo um senhorzinho (que depois fui saber que é português de Portugal) baixinho de bigode sentado à mesa com seu notebook e sorrindo. O outro palestrante pergunta:

- O que é isso?

- É meu filho, está lá em Portugal e me mandou uma mensagem no vídeo.

O outro palestrante quis ver, e ficaram os dois lá, repetindo o vídeo do menino, sorrindo e admirando, bem cuti cuti.

Aí percebi que foi entrando mais gente, e que quase todo mundo estava com seu note ou net book. Quase todo mundo checando e-mails, vendo as notícias, essas coisas.

Bom, começou a palestra e o rapaz que estava sentado à minha frente começou a jogar WOW. E depois entrou em sites de mangá, ficava conversando com alguém no MSN, e voltava a jogar...

A moça ao meu lado ainda entrou no Orkut, Facebook...

Depois de um tempo notei que alguns anotavam o que ia sendo dito na palestra diretamente no notebook. Como é que esse povo consegue digitar tão rápido em teclados tão pequenos?

Ah, mas a modernidade não acabou aí. Eu estava lá, papel e caneta em mãos, anotando tudo, bem arcaicamente. Mas duas mulheres à minha frente simplesmente tiravam fotos da apresentação com os seus modernos celulares. O palestrante mudava a tela do PowerPoint e subiam as duas mãozinhas pra tirar foto. Bem mais fácil, né?

Além disso o evento estava sendo transmitido ao vivo pela Internet pra quem quisesse ver.

E toda hora tinha alguém pedindo pra organização configurar o notebook pois não estava funcionando a rede wireless. E dá o notebook pro moço, o moço leva o notebook pra um outro moço, que configura sei lá o que e pronto, pode parar de ficar agoniado, senhor, que a gora o senhor pode acessar a Internet.

A mesma coisa se repetiu no café da manhã no hotel. O hotel estava cheio, pois estavam acontecendo vários eventos na cidade, e pessoas e notebooks se acotovelavam nas mesas. Pessoas sozinhas não se sentiam mais tão sozinhas quando falavam com alguém pelo MSN.

Na viagem de ônibus as pessoas ficavam o tempo todo falando ao telefone, mandando torpedos, escutando MP3, trabalhando no notebook.

Acho que eu não havia percebido ainda como estamos todos dependentes da tecnologia de hoje. E lembro que há uns 15 anos atrás o celular estava só começando. Ninguém podia imaginar como estaríamos 15 anos depois.

E cheguei à conclusão de que tudo isso é mágico, maravilhoso, fantástico. É um admirável mundo novo!

6 comentários:

Bi disse...

Nossa!
E alguém conversava entre si no meio de tudo isso?
Tipo, trocando idéias sobre o que rolou na palestra?
Às vezes me admira também...
Ontem estava falando sobre essas modernidades com o marido, sobre os lançamentos como o iPad da Apple, agora é um atrás do outro sendo lançado.
Às vezes me pergunto onde é que a tecnologia vai parar e se isso é TÃO maravilhosamente bom mesmo...
Porque do jeito que está, pouco espaço sobrará pra nós... mas máquinas farão tudo!

Magnum Opus disse...

Então quer dizer que vc nem precisava ter ido até Floripa pq o negócio foi transmitido online hehe? Mas é isso aí, viva a modernidade!!

Sabrina disse...

Eu sinceramente não sei se isso é bom ou ruim.
Semana passada eu fui a uma happy hour.
As pessoas conversavam, mas de repente interrompiam o que estavam falando (ou paravam de prestar atenção no que o outro estava falando) para atender o celular, responder uma mensagem... e daí ficavam mais uns 10 ou 15 minutos mexendo no celular fazendo sei-la-o-que... totalmente alheios à conversa.
E às vezes era mais de uma pessoa, tipo 3 ou 4 ao mesmo tempo, sentadas ali, mas alheias. E isso foi direto, durante as + ou - 3 horas em que fiquei ali, aquela alternância entre estar ali e estar em "outro lugar".

Por isso fiquei pensando, afinal, qual era o intuito da happy hour: conversar e dar risada com as pessoas que estavam ali, ou ficar se comunicando com outras pessoas via celular?

Eliane Felisbino disse...

Dani, espere para se assustar com o domínio da tecnologia que seus filhos irão demonstrar.

Je disse...

Menina, vc tava em Floripa...o resto nem deve pensar hahah

Dri disse...

Eu aproveito bastante o teal MSN. A Bi e eu sempre que podemos ligamos a câmera e nos vemos... nos falamos. É bem legal.
Também faço isso com alguns tios e primos bem distante. Mas o engraçado é que também faço isso com pessoas que moram aqui. hehehe

Beijo